Pandemia do novo coronavírus ameaça temporada 2020 do Tênis

Por Globoesporte.com | Portal Gazetaweb.com     06/04/2020 14h41

Até o momento, o único tenista profissional diagnosticado com COVID-19 é o brasileiro Thiago Wild

Pandemia do novo coronavírus ameaça temporada 2020 do Tênis

FOTO: Tim Clayton/Corbis via Getty I

Nada de aces, winners e ralis nos próximos meses. A pandemia do COVID-19, o novo coronavírus, estabelece o maior empecilho para a realização do circuito internacional de tênis desde a Segunda Guerra Mundial. O confronto motivou o cancelamento de 17 Grand Slams entre 1940 e 1945, temporadas nas quais o US Open foi o único Major disputado normalmente. O Tournoi de France, realizado em Roland Garros sob ocupação da Alemanha nazista, não é reconhecido pela Federação Francesa de Tênis.

Anunciado na última quarta-feira, o cancelamento de Wimbledon impõe um desafio que engloba tenistas não somente do top 100, faixa de ranking dos classificados para Grand Slams. A não realização do torneio britânico pela primeira vez em 75 anos estendeu a paralisação do circuito. O prazo da suspensão iniciada em 13 de março foi ampliado de 8 de junho para 13 de julho, totalizando quatro meses de interrupção.

A premiação de 45 mil libras (R$ 295 mil) para os perdedores na primeira rodada de Wimbledon certamente fará falta para os tenistas menos bem colocados do top 100, mas o problema é ainda maior para quem não estaria entre os 256 privilegiados - 128 mulheres e 128 homens - na disputa das chaves principais de simples em All England Club. Duplistas, jogadores do quali e aqueles que jamais estiveram próximo da Grama Sagrada são os mais afetados.

As competições de 15 mil dólares, organizadas pela ITF, costumam ser realizadas em resorts durante semanas consecutivas. Visando redução nos custos, os tenistas que não figuram entre os 350 mais bem ranqueados da ATP e da WTA, disputam vários torneios seguidos em um mesmo hotel. A pandemia do COVID-19 também atinge serviços de turismo e hospedagem, o que pode prejudicar o calendário de atletas que já não conseguem se manter financeiramente.

O novo coronavírus exige medidas de auxílio por parte de entidades como ATP, WTA e ITF para que a transição dos tenistas de torneios pequenos para as principais competições no circuito não se torne ainda mais difícil. A Federação Britânica de Tênis já anunciou um aporte de 20 milhões de libras (R$ 131 mi) para jogadores, treinadores, torneios e árbitros. A iniciativa beneficiará todos os tenistas do Reino Unido entre os 750 mais bem ranqueados de simples e 250 de duplas.

Também da Grã-Bretanha vem o bom exemplo de Wimbledon, que reduzirá os prejuízos causados pelo cancelamento do torneio por meio de um seguro que abrange pandemias. O lucro anual estimado em 65 milhões de libras (R$ 426 mi) permitiu um planejamento adequado que diminuirá o impacto do COVID-19 no torneio que gera 6 mil empregos anualmente durante os 13 dias de disputa em All England Club.

Na contramão de Wimbledon, Roland Garros projeta um prejuízo de 260 milhões de euros (R$ 1,5 bi) caso o torneio não seja realizado em 2020. A decisão unilateral dos franceses de programar a edição deste ano, originalmente prevista para maio, entre os dias 20 de setembro e 4 de outubro, revoltou a grande maioria dos tenistas. A data de início da competição está agendada para apenas uma semana após a final do US Open.

Sede do último Grand Slam da temporada, o Billie Jean King National Tennis Center receberá um hospital de campanha para 350 leitos e auxiliará na realocação de pacientes do Hospital Elmhurst, que fica a quatro quilômetros de Flushing Meadows. Segunda maior quadra do complexo, o Louis Armstrong Stadium vai servir como centro de preparação de 25 mil refeições por dia para pacientes, trabalhadores, voluntários e crianças.

Mesmo com mais de 100 mil casos de COVID-19 confirmados no Estado de Nova York, a data do US Open segue mantida entre 31 de agosto e 13 de setembro, ainda que a Associação Norte-Americana de Tênis esteja monitorando a pandemia. A entidade recomendou a suspensão da prática da modalidade, visto que a transmissão é possível no contato com bolas, postes de rede e até mesmo o piso, inclusive em partidas de simples.

As consequências da pandemia do novo coronavírus tendem a ser mais intensas no tênis do que em outros esportes. Por reunir tenistas de diversos países em múltiplos continentes durante todas as semanas, a modalidade necessita que o contágio esteja globalmente controlado para retomar o calendário com normalidade. Um cancelamento de todos os torneios programados para 2020 não está fora de cogitação.

Até o momento, o único tenista profissional diagnosticado com COVID-19 é o brasileiro Thiago Wild, que anunciou o teste positivo para o novo coronavírus em 25 de março. O retorno do circuito parece distante não apenas por conta da prevenção dos atletas, mas também do público. Priorizar os cuidados à saúde é a escolha mais acertada do momento, nem que para isso seja preciso esperar até 2021.