Sindpol protesta contra paralisação dos serviços de limpeza e alimentação

Por Jamylle Bezerra e Larissa Bastos     06/12/2018 09h49

Sindicato afirma que policiais civis estão precisando fazer faxina nas delegacias da capital e do interior

Policiais civis fazem ato em frente à Central de Flagrantes, no Farol

FOTO: Larissa Bastos

Insatisfeitos com a interrupção dos serviços de limpeza e alimentação nas delegacias de Alagoas, policiais civis do estado realizaram um ato, na manhã desta quinta-feira (6), em frente à Central de Flagrantes, no bairro do Farol, com o objetivo de chamar a atenção para o problema, que segundo a categoria, vem acontecendo desde a última segunda-feira (3). 

De acordo com o presidente do sindicato, Ricardo Nazário, a empresa terceirizada responsável pela limpeza das delegacias e pelo fornecimento da alimentação dos presos está com os serviços paralisados e, desde a segunda-feira, deu férias coletivas aos funcionários.

"A limpeza das delegacias não está sendo feita e, em algumas delas, os presos já começaram a fazer motins devido à falta de alimentação. Na capital, um grupo faz a limpeza e os familiares levam o café da manhã. Já o almoço e o jantar vêm do sistema prisional. No interior, é pior a situação, porque os mesmos terceirizados fazem a limpeza e cozinham para os presos", afirmou o representante da categoria. 

Segundo ele, a situação é tão complicada que os policiais tiveram que assumir as funções de limpezas em algumas das delegacias. "Os policiais estão lavando banheiro, limpando a delegacia. Isso é um absurdo", pontuou. 

O presidente do Sindpol fala ainda que a informação recebida pelo sindicato é de que o Governo não faz o pagamento a essa empresa já há 4 meses, por isso ela paralisou os serviços. Ontem, por meio de nota enviada pela assessoria, a Polícia Civil informou que uma licitação para contratação de uma nova empresa para fazer a limpeza das delegacias está em fase final. 

Policiais civis reclamam que estão fazendo faxina nas delegacias

FOTO: Larissa Bastos

"Não estamos entendendo o porque de o Governo não ter feito esse repasse e queremos uma explicação do estado. Acompanhando o Diário Oficial, temos visto o Governo abrir créditos suplementares para vários órgãos, como R$ 30 milhões para a Assembleia e R$ 16 milhões para o Tribunal de Justiça. Na mensagem, o governo diz que é superávit de arrecadação. Se existe isso, porque não pagam aos trabalhadores que estão prestando serviço nas delegacias?", questiona. 

Ele acrescenta que os policiais não têm condições de arcar também com esses serviços de limpeza e fornecimento de alimentação, até porque essas não são atribuições deles. "Os policiais civis já estão tomando conta de preso, o que não é atribuição da Polícia Civil, e agora estão tendo que ser faxineiros e cozinhar para os presos? Isso é absurdo", falou. 

Ricardo disse que os policiais estão com receio de motins maiores nas delegacias. "Isso se iniciou na segunda-feira e até ontem estávamos tentando ver se haveria solução, mas não houve. Nosso medo é que haja uma morte ou algo assim, se houver um motim maior dentro das delegacias. Tem delegacia com 80, 50 presos, e com um efetivo de poucos policiais. De quem vai ser a responsabilidade se isso acontecer?".

Ele destaca ainda que isso prejudica, inclusive, os serviços prestados à população, já que as delegacias estão com amontoados de lixo e mau cheiro. Os policias estão fazendo o básico da limpeza para amenizar um pouco a situação, mas não estão cozinhando. A alimentação está sendo levada pelas famílias dos presos.

"A família está tendo que se virar. Aqui na Central, desde segunda, a família é que está trazendo o café da manhã. Se não trouxer, os presos ficam com fome até a chegada do almoço que vem dos presídios". 

Ontem, a equipe da Gazetaweb esteve na Central de Flagrantes e conseguiu flagrar um advogado levando pão e alimentos para os presos. Sobre a questão do fornecimento do café da manhã dos presos, a PC informou que, nesta sexta-feira (7), a situação estará regularizada.